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Religião

Written by Stefano Mozart on . Posted in Comunhão


"Religião (do latim religare, significando religação com o divino) é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e os valores morais. Muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. As religiões tendem a derivar a moralidade, a ética, as leis religiosas ou um estilo de vida preferido de suas ideias sobre o cosmos e a natureza humana" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Religião

A Bíblia narra o surgimento da primeira religião e, nessa narrativa, exibe claramente a origem do ato religioso e os resultados da religião para o homem e para tudo a sua volta. No Édem, homem e mulher tinham acesso irrestrito a Deus. Mais que acessível, Deus era uma constante em suas vidas. Homem e mulher não apenas podiam falar com Deus, Deus mesmo os buscava para comunhão, diariamente. Eles sabiam que não passariam um dia sequer sem encontrá-Lo. Havia suprimento abundante e o único trabalho consistia em não mudar nada, ou seja, em guardar aquele ambiente para que nada interferisse em tão perfeito estado.

Infelizmente, naquele mais tenebroso dia da história da humanidade, mulher e homem optaram por outra vida. Ao comerem do fruto do conhecimento do bem e do mal, decidiram viver uma realidade completamente diferente. Agora, no tocante ao conhecimento do bem e do mal, eram iguais a Deus. Entretanto, logo perceberam que, quanto à justiça, nunca seriam iguais a Deus. Viram-se nus. E, com o fim de cobrir as suas vergonhas, ou melhor, encobrir sua injustiça, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Eis aí a primeira religião do homem.

Toda religião consiste na mesma atitude: um método, uma fabricação humana, com o fim de transformar o homem, justificá-lo. Essa atitude é sempre impulsionada pela premissa de que, de certo modo, somos quase perfeitos, quase iguais a Deus. O nirvana budista, o homem bom de Confúcio, a obediência islâmica, a propiciação do sacrifício incessante católico, o bom caráter protestante, a instantânea transformação e o poder espiritual dos pentecostais – todos são nomes diferentes para a mesmíssima folha de figueira, a cobertura que o homem, por sua própria ‘excelência’, cose para si mesmo.

O resultado é que o homem e a sua mulher esconderam-se de Deus ao ouvir a Sua voz. Ninguém lhes ensinou a se esconder. Ninguém lhes disse que não poderiam mais ver a Deus. Adão dá a resposta que explica o resultado interior da religião: ‘tive medo, e me escondi’. A religião propõe métodos, exige atividades, garante resultados. Entretanto, no íntimo do homem religioso existe apenas medo. Medo da morte. Medo de não ser aceito. Medo de, na verdade, não ser como Deus. A religião distorce a percepção humana a respeito de Deus, e distorce ainda mais a percepção humana acerca de sua própria condição.

Quanto à companheira de religião, também companheira de pecado, o que havia no homem era apenas acusação. Medo no coração. Acusação aos semelhantes nos lábios. E, em sua consciência, a insuportável distância de Deus. Mas esse ainda não é o quadro completo da vida religiosa.

A mulher, agora em dores,  daria à luz filhos. O desejo da mulher, agora, era para seu marido, e ele a governaria. Que grande ironia para a mulher que escolheu conhecer o bem e mal com o fim de ser igual a Deus – estava, agora, sob seu marido. O homem foi afastado de Deus e agora também precisava laborar na terra, para, do suor de seu rosto, comer o seu pão. A terra se tornou maldita. E a terra maldita se tornou o destino cruel da humanidade: vir do pó, retornar ao pó. Um ciclo estúpido de tirar da terra, com dificuldade, o sustento para uma vida degradada, fadada a esvair-se na mesma terra.

Talvez seja essa a melhor definição de religião: um ciclo estúpido. O ato religioso repetiu-se na próxima geração. Ao fim de uns tempos, trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de Sua oferta não se agradou.

É certo que Caim e Abel ouviram o relato daquele dia tenebroso em que seus pais foram expulsos do jardim. Ouviram acerca do julgamento, das consequências da escolha que fizeram. Ouviram acerca da inutilidade das folhas de figueira e de como seus pais foram cobertos por Deus com a pele de animais. Abel parece ter dado atenção ao relato e imitou Deus no sacrifício de animais. Caim, por sua vez, ignorou completamente a maldição e trouxe do fruto de seu labor na terra maldita, como se, por seu esforço, a maldição se tornasse aceitável. Como se, por seu esforço, ele mesmo se fizesse aceitável.

Abel não inventou nada, e foi considerado justo. Caim, em seu esforço religioso, recebeu apenas a resposta de que o pecado estava à porta, e que era necessário dominá-lo. É evidente que Caim não podia dominar seu ímpeto pecaminoso: matou a seu irmão, mentiu para Deus e se tornou maldito. Mais um ciclo da maldição religiosa se completava. Maldita se tornou a terra, malditos se tornaram Caim e sua descedência.

No princípio, o homem não precisava fazer nada para ter comunhão com Deus. O homem não precisava aprender nada; não precisava provar nada a ninguém; não precisava conquistar, alcançar ou adquirir coisa alguma para ver Deus. Depois da queda, tentou fazer-se digno da presença de Deus fabricando uma cobertura. Tentou tornar-se digno de Deus oferencendo o fruto de seu fatigante esforço. Mas não foi aceito.

Os nomes mudam, as práticas envolvidas também, mas o ímpeto religioso ainda reside em cada ser humano. A religião se reinstala, geração após geração. Se reacomoda a cada cultura. A cada sistema de valores. A cada geração, as palavras de Deus são distorcidas. A percepção acerca de Deus é distorcida. As histórias são mal-contadas. E o erro religioso se perpetua. Quando será que vamos parar de nos esforçar para alcançar Deus? Nossas iniqüidades fazem separação entre nós e Deus, e não há obras que façamos que podem nos justificar (Is 59:2; Gl 2:16). Nenhuma realização, nenhuma conquista, nenhum procedimento nos justificará. Não nos cabe subir ao céu. Não nos cabe reencontrar Deus. Não nos cabe executar a religação entre homens e Deus. Religião é apenas um ciclo estúpido de esforço e maldição.

Não sei se tenho qualquer outra informação útil, ou conclusão, acerca da religião. Mas tenho uma resposta a ela.

A resposta para o vazio, o sentido da vida humana, o caminho de volta… chama-se Emanuel. Deus conosco. Você não encontrará salvação tentando alcançar Deus. Você pode ser salvo pelo Deus que já te alcançou. Que nunca partiu. Que nunca desistiu daquelas afáveis conversas diárias, na viração do dia. Jesus não representa um ideal a ser alcançado. Ele é o testemunho do amor e da presença totalmente amável de Deus. Jesus não estabeleceu a prática correta. Ele é a pessoa de quem precisamos. A pessoa de quem sempre precisamos. A pessoa que sempre esteve próxima, até mesmo no coração, sondando cada um, inquietando cada um com a inigualável sede por Deus.

A religião continuará a te dizer “faça”. Jesus é. Hoje Ele me disse: “Eu sou”. Eu cri. Fui salvo por aquilo que Ele é. Percebi que não precisaria fazer mais nada. Não escrevi esse texto para estar mais perto Dele. Só escrevi para extravasar minha indignação com a maldita religião. A religião que por tanto anos exigiu que fizesse muitas coisas, mas nunca  me deu Jesus. A religião que por tantos anos me fez pensar em que fazer, como fazer. Mas Jesus continua comigo, e continuará aqui, comigo, até a consumação do século. Agora, toda a questão se resume em “quem”. Quero prestar atenção em Jesus. Ele mesmo se deu a mim. Eu cri. Recebi. Chega de fazer. Quero desfrutar.

 

Religião animal

Written by Stefano Mozart on . Posted in Citações, trechos de livros etc

Thomas Boston disse que a diferença entre o homem e o animal  é que o animal olha para baixo e o homem foi criado para olhar para cima. O homem pode relacionar-se com Deus, nos céus, enquanto o animal preocupa-se somente com o chão abaixo de suas pernas curtas, olhando somente para ele. O animal arqueia-se sob seu fardo, mas o homem eleva seu coração em louvor àquele que carrega o fardo para ele: Jesus Cristo.

O Propósito do Homem: idealizado para adorar – A. W. Tozer. Belo Horizonte: Editora Motivar, 2009, p. 90.