Posts Tagged ‘amor de Deus’

Um ano e pouco de paternidade (1)

Written by Stefano Mozart on . Posted in Comunhão

Estive bastante ocupado no último ano. Tanto que não escrevo nada neste canal há muito tempo. Graças ao Senhor, ontem completei um ano e três meses de paternidade. Isto é, Tirza, o presente que Deus deu a mim e à minha esposa, completou um ano e três meses. Com a chegada da Tirza, Deus alterou profundamente muitos aspectos de minha vida. Ele operou em minha fé, e um dos aspectos mais marcantes foi a respeito do amor de Deus.

Eu, que sou um homem mal, ao saber da gravidez de minha esposa, desenvolvi imediatamente um grande e inexplicável amor por aquela “pessoinha” que seria gerada. Ela não tinha nada a me oferecer. Nunca me fizera qualquer favor. Eu nem a conhecia. Mas a amei. Meu amor humano e falho pela minha filha me fez entender, valorizar e desfrutar de maneira muita nova e intensa o amor perfeito e eterno que Deus tem por nós.

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11:13)

Mas, de certa forma, meu amor pela Tirza se explica pelo fato de que ela representa uma continuidade daquilo que sou. Me orgulho quando a elogiam. E, em todos os aspectos que pude verificar, ela é melhor do eu sou. Mais tranquila, mais pura, mais doce. É fácil amá-la. Deus, entretanto, me amou e me acolheu sendo eu não apenas contrário ao que Ele é, mas até mesmo abominável. Ele me olhou com compaixão, e com amor me quis como filho. Não só me recebeu, mas deu a Sua própria vida para me gerar como filho legítimo. O justo pelo injusto.

“Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” (Hb 2:10)

Em minha fraqueza, minha condição frágil e mortal, não tenho nada a oferecer. Não há nada de que o Criador necessite. Afinal, Ele trouxe tudo à existência. O amor do Pai por mim não advém daquilo que eu represento ou possa oferecer. Aliás, diante de Seu amor por mim, a única coisa que posso oferecer em retorno é a vida que já pertence a Ele. Pois Dele recebemos a vida, respiração e tudo mais. A única reação possível, então, é viver em resposta a esse tão vasto e profundo amor.

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Ef 5:1-2)

E agora, por que amo minha filha e por que, dentro de minhas limitações, conheço o amor de Deus, tenho uma oração diária: que ela conheça esse amor. Eu me preocupo por que sei que muitos desafios virão, e devo me preparar para prover adequadamente muitas necessidades psicológicas e materiais, e em todos os aspectos da vida da Tirza. Mas nada me preocupa tanto quanto a necessidade de mostrar para minha filha, em minha própria vida, o amor de Deus. Não há nada que eu possa fazer que sequer chegue perto daquilo que Deus é, tem preparado e pode suprir para ela. Tenho certeza de que, no momento em que ela tocar esse amor, a vida dela terá sentido, terá esperança. E ela será suprida de toda sorte de bênção. E, em meio a toda essa preocupação, quando oro pedindo a Deus que conduza essa pequenina a Seu próprio amor, meu coração se enche de paz e conforto. Eu sei que Deus a ama.

 

O poder de transformar

Written by Stefano Mozart on . Posted in Citações, trechos de livros etc

É completamente normal que outros crentes tenham opiniões, tradições ou práticas bem diferentes das nossas. Também é normal (ou, ao menos, inevitável) que vejamos algumas destas pessoas como “opositores”. O que não é aceitável é o seguinte: para demonstrar o meu amor por alguns cristãos, tenho que ser também inimigo de seus inimigos. Ter comunhão com esse tipo de cristão significa fazer parte de suas cruzadas contra outros cristãos! […] Contudo, repetidas vezes encontro cristãos no trabalho que me pedem: “Se você realmente quiser ter comunhão conosco, precisa afastar-se publicamente de X, Y e Z”.

Por exemplo: tenho alegria em trabalhar com igrejas que se entendem como “carismáticas”, e também com outras que olham para este estilo de espiritualidade com muito ceticismo. E vários de meus amigos carismáticos questionam seriamente o meu amor por eles por eu investir tanto tempo em grupos não carismáticos. Outros não carismáticos têm a impressão de que tomei partido dos carismáticos por trabalhar tanto com estas igrejas. Conclusão: para alguns, sou “herege” por dar a mão a pessoas que eles consideram “hereges”.

O lema é sempre o mesmo: “Se você me ama, será inimigo dos meus inimigos”. Esta forma de pensar em categorias de segregação e lutas está tão disseminada entre os cristãos que me parece ser o principal obstáculo à evangelização do mundo. Não estou dizendo que estes grupos não deveriam envolver-se tanto com a verdade. Acima disto gostaria de apontar para o fato de que em seu sistema de crença possivelmente falta o mais importante aspecto do amor de Deus: o poder de transformar inimigos em amigos. Em vários grupos que conheço parece acontecer exatamente o oposto: eles continuam a transformar amigos (potenciais) em inimigos.

— Christian A. Schwartz
Do texto: As 3 Cores do Amor (Editora Esperança), p. 9.