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Depoimento de um ex-inválido

Written by Jethro Bezerra on . Posted in Comunhão

O texto a seguir é ficcional. É uma história inspirada no capítulo 5 do evangelho de João, inserido na sequência do texto para referência. É um exercício de interpretação e, muito despretenciosamente, literário também. O autor não teve ou tem nenhuma intenção de estabelecer verdades doutrinárias ou, muito menos, adicionar algum ‘til’ à palavra de Deus. Ainda que ele pessoalmente creia que a mensagem que pretende transmitir seja muito verdadeira. Se o texto servir para que os filhos de Deus ao menos se abram para receber a visitação libertadora do Senhor Jesus, independentemente das consequências, já terá cumprido seu propósito. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência. JXBB


Betesda. A casa de misericórdia…

É impressionante como tudo agora faz sentido…

Eu fico me perguntando se o Senhor deu mesmo aquela risadinha de canto da boca ou se já não é tudo coisa da minha cabeça. Mas também, quem mandou eu ter dado aquela resposta tão boba? A verdade é que, se ele quisesse, ele poderia ter até gargalhado…

Se bem que quando eu paro para pensar, eu tenho minhas dúvidas se ele teria achado alguma graça naquela história. Sei lá, fico pensando nos amigos que deixei por lá e que até hoje não conseguem entender o que aconteceu comigo nem a mensagem do Salvador. Lembro também da reação dos fariseus naquele dia, e de todo o problema que até hoje eles têm causado, mesmo aqueles que se uniram aos discípulos na igreja. Toda essa obsessão que eles têm pelo assento de Moisés!.. A verdade é que talvez o Senhor ainda tenha muito trabalho pela frente até que encontre motivos pra sorrir.

O problema todo é que aquilo tudo acabava distraindo a gente demais. Toda aquela tradição, toda aquela religião… Se eu, que estava há 38 anos naquela situação, como um dos inválidos mais experientes (eu nem acredito que estou escrevendo isso), não tinha conseguido entender, fico imaginando então o que se passa na cabeça dos outros…

Pra falar a verdade, eu até nem sei direito de onde vem essa história das piscinas de cura. Só sei que nunca fizeram parte das leis de nosso povo. Uma vez ouvi o Simão dizer que há muito tempo atrás, os líderes religiosos da época, simplesmente assimilaram os Templos de Cura que eram utilizados pelos povos pagãos [1]. Eles disseram que era para satisfazer os interesses do povo que, segundo eles, acabariam utilizando os tanques de um jeito ou de outro. Pode até ser verdade que as intenções tenham sido as melhores, mas o fato do Sinédrio cobrar a taxa de manutenção do poço também deve ter ajudado bastante no argumento. Em todo caso, o Simão e os outros já confirmaram, e eu mesmo fiz questão de consultar com o curador da biblioteca, que a origem desses poços é puramente pagã mesmo.

Mas veja só, no meu tempo, se alguém me dissesse isso, eu ficaria até ofendido. Ainda me lembro daquelas reuniões que nós da Associação dos Inválidos e Amigos do Poço de Betesda fazíamos com o rabino pra reclamar do aumento do preço das taxas de manutenção. Ele então sempre nos mostrava algo nas escrituras. A preferida era sempre a passagem sobre ‘o povo murmurando contra Moisés nas águas de Mara’, que Deus então lhes dissera para que ‘fizessem o que era reto perante os olhos de Deus’, que assim haveria a ‘promessa do Deus que sara de que nenhuma enfermidade viria sobre nós’ e que finalmente, como resultado, ‘o povo acampara junto às águas de Elim, onde haviam também setenta palmeiras’. Ah! Sempre cedíamos e pagávamos o que fosse preciso pelo nosso lugar ‘junto às águas’[2]. Até porque as escrituras sempre nos comoviam muito. Fazer o quê? Ele era a autoridade nessas coisas espirituais e nós…, nós não passávamos de um grupo de pessoas carentes e ignorantes.

Como se não bastasse, a verdade é que, de alguma forma, as coisas funcionavam. Ainda me lembro de que, todas as vezes que alguém entrava primeiro na piscina e era curado, puxa, como aquele ambiente se enchia de alegria. Havia muitas glórias a Deus! O que poderíamos pensar, senão que aquilo era mesmo o último recurso da salvação de Deus pro seu povo? Hoje, acho simplesmente que Deus permitia aquilo tudo. Penso que, de um jeito ou de outro, Deus nos ama tanto que não vai perder nenhuma oportunidade de nos curar. Por outro lado, Ele também nunca vai querer nos impor nada em troca da nossa salvação, mas vai sempre nos dar a oportunidade de escolher…

Por isso que vejo até graça em ter respondido tão tolamente. Ainda bem que o Senhor sabia que no meu coração a resposta era sim. O problema é que eu estava muito acostumado com tudo aquilo. Não à toa, os dias que se seguiram à minha cura não foram lá muito fáceis. É claro que nada se comparava a poder andar novamente, mas que foi uma adaptação custosa, isso foi. Você há de concordar comigo, depois de quase quarenta anos, aquilo ali já tinha virado minha vida. Eu já sabia como aquele sistema todo funcionava. Aliás, sempre tentei participar da melhor forma na organização de tudo: o loteamento dos espaços, a distribuição de alimentos, a construção dos banheiros anexos… Como era difícil me locomover, até que não dava pra me envolver tão ativamente assim, mas pelo menos sempre vinham perguntar minha opinião. Não que no final das contas ela contasse muito, mas pelo menos fazia com que eu me sentisse um pouco importante…

Agora, mais curiosa ainda é a percepção curta que eu tinha do meu problema, achando que tudo o que me faltava era um homem que pudesse me levar até as águas. Oh! Quanta cegueira! O próprio Senhor na minha frente e eu achando que precisava de um outro alguém pra me guiar…

Hoje eu compreendo e meio que me envergonho de ter posto minha esperança em pessoas e coisas que não fossem o próprio Senhor. A verdade é que se o próprio Moisés estivesse ali pra me guiar, na presença gloriosa do Senhor Jesus ele simplesmente desapareceria. Ouvi dizer que, mais tarde, naquele mesmo dia, o Senhor dissera aos judeus que o perseguiam, provavelmente os mesmos que me repreenderam por estar carregando meu leito no sábado, que até mesmo as escrituras, em que eles tanto julgavam encontrar vida, testificavam dele mesmo. Uau! Para encontrar vida, bastaria se achegar até Ele. Nada mais. E eu distraído com tantas coisas…

Quem poderia dizer que hoje eu estaria andando. Não, eu não sou mais um inválido…

Quanta misericórdia! Meu guia, meu Elim, minha salvação, minha esperança, meu descanso, meu tudo, aquele que faz novas todas as coisas, bem ali na minha frente. Eu nem precisei me achegar a ele, mas foi ele quem veio até mim. Eu nem precisei dar a resposta certa, mas a cura veio mesmo assim. Tanta gente em tantos lugares em Jerusalém e ele veio justamente pra Betesda, a casa de misericórdia.

É, pensando bem, acho que ele deve ter dado aquele sorriso  sim…

 

[1] Maiores informações podem ser obtidas em http://en.wikipedia.org/wiki/Pool_of_Bethesda. Neste link, o artigo em inglês, mais completo, sobre o tanque de Betesda informa, por exemplo, que a menção da agitação das águas por um anjo nem mesmo fazia parte dos manuscritos mais antigos da bíblia.

[2] Citações de Êxodo 15:23-27. Servem para ilustrar como é possível produzir ensinamentos que nada tenham a ver com a verdade do evangelho. A displicência relacionada a chegar ao pleno conhecimento da verdade, que tem permitido a proliferação dos mais diversos e aberrantes tipos de doutrinas e práticas, tem desviado muitos filhos de Deus da fé comum. Vale lembrar que a distorção das escrituras pode atender aos mais nefastos interesses, até mesmo os do próprio inimigo de Deus, como demonstrado na tentação do Senhor Jesus, em Mateus 4.

 

“Depois disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.
Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água.
Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.
E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?
O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.
Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda.
Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado.
Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito.
Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda.
Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito, e anda?
E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.
Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.
E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.
E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.
E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.
Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.
Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer.
E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;
Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.
Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.
Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.
Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;
E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.
Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.
E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.
Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.
Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.
Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.
Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis.
Ele era a candeia que ardia e alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.
Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.
E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer.
E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós.
Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;
E não quereis vir a mim para terdes vida.
Eu não recebo glória dos homens;
Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.
Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.
Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?
Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais.
Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele.
Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?”
João 5:1-47

Sobre o conhecimento

Written by Jethro Bezerra on . Posted in Citações, trechos de livros etc

Ainda na onda de comentários de livros, queria comentar agora o livro “Reconsiderando a Vontade de Deus”, de Frank Viola. De leitura fácil, traz uma visão muito sensata sobre a compreensão da vontade de Deus em nossas vidas. Destaque para o capítulo que trata da importância da sabedoria e do discernimento no processo de conhecer a vontade de Deus, não apenas no aspecto relacionado à escolhas que precisamos fazer pra viver neste mundo, do tipo casar ou comprar uma bicicleta; mas também, e principalmente, com relação à aplicação dessa vontade divina em nossas vidas enquanto cristãos, do tipo falar em línguas ou não. Nesse contexto, é possível encontrar trechos preciosos como: “Os únicos critérios para a comunhão entre cristãos são esses: Deus recebeu essa pessoa? Se Deus tiver recebido alguém em Sua família, então quem é você para rejeitá-lo? Se alguém creu no Salvador, Jesus Cristo, então Deus o recebeu.” O livro é publicado pela Editora Restauração: www.editorarestauracao.com.br. Pena que seja vendido, porque afinal de contas, sabemos que a palavra de Deus é de graça!

Mas queria desenvolver esse assunto relativo ao discernimento mencionado no livro fazendo um gancho com o seguinte trecho, também precioso: “Normalmente, os cristãos maduros têm mais liberdade do que os cristãos imaturos. Isso é porque os cristãos maduros tendem a ter mais conhecimento.” Pode acreditar, é isso mesmo que você leu. E pode ficar tranqüilo que a frase não foi descontextualizada como se costuma praticar por aí. É exatamente isso que ela quer dizer: cristãos maduros são os que tem mais conhecimento. É certo que algo assim incomoda nos ouvidos de muita gente, mas, ainda que o território seja de fato espinhoso, vale a pena considerar sobre o assunto.

Em resumo, o entendimento corrente apregoa que o conhecimento produz morte. Essa doutrina é derivada da experiência de Adão e Eva que, ao comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim do Éden, se tornaram mortais. É preciso no entanto considerar mais a fundo essa questão partindo do princípio que conhecer o bem e o mal por si só não significa nada. Se o homem tivesse comido exclusivamente da árvore da vida, ainda assim dificilmente ele seria alienado de discernimento. A bondade faz parte, por exemplo, do fruto do Espírito (Gl 5:22). Aliás, Gn 3:22 mostra que conhecer o bem e o mal é uma característica do próprio Deus e a nós é absurda a ideia de que qualquer traço de morte exista em Deus. Adão mesmo precisava ter discernimento para compreender o mandamento divino e como o apóstolo Paulo disse a Timóteo: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” (1 Tm 2:14). Ora, foi justamente a incapacidade de Eva de discernir o engano que conduziu-nos todos à transgressão. Note ainda que, também segundo o próprio Deus no mesmo versículo 22, se não fosse bloquear o acesso à árvore da vida, talvez Adão estivesse no nosso meio até hoje, Vivinho da Silva.

Onde é que está o problema então? O problema está justamente em ‘ser como Deus é’, que é o que a serpente propôs, mas sem que isso ocorresse por meio da própria vida divina. Notem: o propósito da obra de Satanás que começou ali em Gn 3, como manifestação de sua própria natureza (Is 14:14, Ez 28:2), é diluir a proeminência de Deus. Foi assim com Babel, quando a geração criada quis elevar o nome de Ninrode até os céus (Gn 11:4), foi assim com o judaísmo, quando a geração chamada, em seus sacerdotes, rejeitou o próprio Deus clamando: “Não temos rei, senão César!”(Jo 19:15), assim será na apostasia dos últimos dias, quando a geração dos eleitos (Mt 24:24) tolerará que o anticristo se assente no santuário de Deus, “ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2 Ts 2:4). O comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não produziu cemitérios, mas religiões, que ainda que a pretexto de adorar ou servir a Deus, mais afastaram as pessoas de um relacionamento pessoal e genuíno com Deus do que propriamente aproximaram.

Aí está o princípio: não é o conhecimento que produz morte, e sim a perda do relacionamento íntimo ou direto com Deus. Nada faz isso melhor do que uma religião em que Deus não seja o único. O capítulo quinto do evangelho de João traz muita luz sobre esse assunto, mas por ora consideremos apenas os versículos 39 e 40: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo não quereis vir a mim para terdes vida.” O conhecimento das escrituras por parte dos judeus existia, mas lhes faltava buscar Aquele pra quem as escrituras apontavam: Cristo.

O Senhor estabelece novamente um marco para o novo testamento, dessa vez com relação à nossa experiência no trato do conhecimento. Cristo é a fonte da vida, nada mais. Alguns grupos reivindicam a propriedade exclusiva da vida, como se a tivessem registrada em algum instituto de patentes ou propriedade. Isso é zombar a Cristo. E a base para dizerem isso é justamente o desprezo do conhecimento. Mas a verdade é que, mesmo uma palavra leve e suave, como por exemplo: “por onde passar esse rio, tudo viverá”, que como resultado produza a exaltação de homens, de preferência em detrimento de outros; não tem mais valor do que uma palavra como: “Deus há de ferir-te, parede branqueada!”, se esta, no fim, colaborar mais para conduzir as pessoas a Cristo, a vida eterna, e a Ele somente.

Não à toa, o Senhor fez o alerta no mesmo capítulo 5 de João, 4 versículos adiante daqueles que lemos: “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo não procurais a glória que vem do Deus único?”

Bom, ainda assim, o assunto é mesmo muito sensível, será que não poderíamos ter um embasamento melhor não? Recentemente, aproveitei para notar nas minhas leituras versículos que tratavam desse assunto. Foi possível perceber que os apóstolos não apenas esperavam discernimento por parte dos santos, como mostram os versículos seguintes…:

  • Rm 14:5 – Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.
  • Rm 15:14 – Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros.
  • Rm 16:19 – Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas simples no mal.
  • 1 Co 1:5 – Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento,…
  • 1 Co 10:15 – Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo.
  • 2 Co 1:13 – Pois nada lhes escrevemos que vocês não sejam capazes de ler ou entender. (NVI)
  • 2 Co 3:14 – Não somos como Moisés, que colocava um véu sobre a face para que os israelitas não contemplassem o resplendor que se desvanecia. Na verdade as mentes deles se fecharam, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retirado, porque é somente em Cristo que ele é removido. De fato, até o dia de hoje, quando Moisés é lido, um véu cobre os seus corações. Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade. (NVI)
  • Gl 6:7 – Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. (NVI)
  • Ef 3:4 – Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,…
  • Ef 4:17-18 – E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;…
  • Ef 5:15, 17 – Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,… por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.
  • Cl 2:16-19 – Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo. Não permitam que ninguém que tenha prazer numa falsa humildade e na adoração de anjos os impeça de alcançar o prêmio. Tal pessoa conta detalhadamente suas visões, e sua mente carnal a torna orgulhosa. Trata-se de alguém que não está unido à Cabeça, a partir da qual todo o corpo, sustentado e unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento dado por Deus. (NVI)
  • 1Ts 5: 21 – Examinai tudo. Retende o bem.
  • 1 Tm 3:14-15 – Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.
  • 1 Tm 4:13 – Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá.
  • Tg 1:5 –  E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.
  • 2 Pe 1:5-7 – Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. (NVI)

…mas eles, os apóstolos, também tinham um pesado encargo em seus corações para que os santos tivessem tal conhecimento, como evidenciado nos versículos seguintes:

  • Ef 1:16 – Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;…
  • Fp 1:9-11 – E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.
  • Cl 1:9-10 – Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoriainteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;…

Vale mencionar ainda:

  • At 6:3 – Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa… (NVI)
  • At 17:11 – Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

Dá para entender o motivo dos apóstolos darem tanta importância a esse assunto. É que uma vez estabelecida uma relação hierárquica na igreja, em que uns tem primazia sobre outros, o próximo passo é ajustar o ensinamento àquilo que se torna mais conveniente, mesmo que seja preciso deturpá-lo. O apóstolo Paulo previu que, dentre os irmãos mesmos, se levantariam homens falando coisas pervertidas para que arrastassem os discípulos atrás deles. Na igreja DE DEUS, a qual ele comprou com Seu próprio sangue, não pode haver lugar para lobos vorazes. (At 20:28-30) Nesse sentido, cito mais um versículo, que na minha opinião, é crucial para a prática da igreja numa condição normal:

  • 1 Co 14:29 – E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.

Nesse sentido, é possível ver castelos sendo construídos em torno de doutrinas como por exemplo: negar a vida da alma. Enquanto essa palavra for aplicada para forçar sujeição a homens, ela é um exemplo claro de perversão da palavra. O negar a vida da alma nunca deveria ser mais enfatizado do que tomar a cruz e, muito menos, do que seguir o Senhor!

Talvez a essa altura já dê para dizer isso, mas julgue você mesmo, o conhecimento é importante ou não? Note que todas esses versículos se referem a um conhecimento/ entendimento/ exame/ discernimento/ julgamento/ não ser enganado/ saber que estão relacionados ao ato de pensar mesmo. É por meio desse processo mental que podemos crer na palavra que, finalmente, nos conduzirá à Cristo e à vida. Aí sim passaremos a tratar com uma outra forma de conhecimento, essencialmente espiritual, que é a participação na vida divina em toda sua extensão (p. ex. Ef 3:17-19; 4:13).

Para terminar, queria voltar ao comentário lá do começo sobre a relação entre conhecimento e maturidade. Parte da pregação que tenta anular a capacidade de discernimento dos santos chega a louvar a ignorância como condição essencial para que alguém se torne vencedor, aquele que é maduro na segunda vinda de Cristo. O argumento é que o crescimento de vida é tudo o que se precisa. Ora, o crescimento de vida sem discernimento jamais configurará maturidade. Até a sociedade humana reconhece a figura do incapaz. Esse é aquele que, em alguns casos, mesmo apesar da idade adulta, é impossibilitado de exercer cidadania porque é carente de discernimento. O padrão do reino de Deus não seria inferior. A palavra de Deus ainda claramente trata dessa relação:

  • Lc 2:40 – E o menino [Jesus] crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.
  • 1 Co 2:14 – 3:1 – Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.
  • Cl 1:28-29 – A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; e para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.
  • Hb 5:13-14 – Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

Que o Senhor de fato conceda a todos nós seus filhos encorajamento para buscarmos conhecer plenamente toda verdade, que traz libertação, e vivermos pela mente de Cristo.

“Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve pregar em tempos oportunos”. 1 Tm 2:4.

 

Sobre autoridade

Written by Jethro Bezerra on . Posted in Citações, trechos de livros etc

Terminei de ler ontem Autoridade Espiritual Genuína de David W. Dyer e fiquei feliz com o que li. O autor apresenta vários aspectos da autoridade apresentados na Bíblia segundo a ótica de que jamais a posição de Cristo pode ser afetada. Recomendo a leitura. Pode ser encontrado em http://www.graodetrigo.com/portuguesebooks/AutoridadeEspiritual.pdf.

Aliás, é mesmo muito significativo que, após o cumprimento de seu ministério terreno, o Senhor tenha dito que toda autoridade lhe fora dada. Compreender que a passagem do Senhor por essa terra mudou tudo e de forma radical precisa fazer parte de nosso entendimento de uma vez por todas. Certamente fez parte do ensinamento dos apóstolos que reconheceram Sua ‘primazia em todas as coisas’ (Col 1:18, …). Outro evento marcante foi o ajuste feito pelo próprio Pai em Mateus 17, não só pondo de lado, mas até mesmo retirando de diante da vista dos discípulos, Moisés e Elias. Quando eles levantaram os olhos, viram a ‘Jesus somente’ (v. 8, VRC). Se essa impressão não for profundamente marcada em nós, estaremos muito suscetíveis a desvios a partir do momento que surgirem outros ensinamentos sobre autoridade. E eles virão.

Aliás, o que comumente se pratica por aí é primeiramente produzir um ensinamento incompleto, ou mesmo equivocado, sobre autoridade espiritual e a partir daí, num segundo momento, justificar os desvios de interpretação da Bíblia por parte da liderança. A partir daí, não interessará mais se essa autoridade instituída e o que ela promove vai em oposição a Cristo ou seu ensinamento. Vide por exemplo, livros como Autoridade e Submissão de W. Nee. Talvez 90% do livro mude de sentido se considerado sob a luz do Novo Testamento, a começar, obviamente, pelos evangelhos. Quando não considerado sob essa luz, pode ser usado pra produzir aberrações como a máxima diabólica de que ‘eu não tenho nada com isso, a responsabilidade cairá sobre o líder’. Enquanto isso, com convenientes aplicações do Antigo Testamento, que se continue a ameaçar, aterrorizar, oprimir e controlar aqueles que foram remidos e comprados pelo sangue de Cristo.

Creio que isso ofende a Deus e muito. Impor condições aos filhos de Deus, e a si mesmo, das quais a graça já nos livrou é como ‘pisar o Filho de Deus, ter por profano o sangue da aliança com que foi santificado e fazer agravo (insultar ou ultrajar) o Espírito da graça’ (Heb 10:29). Aliás, antes de terminar, cito o próprio Autoridade e Submissão, de W. Nee: “… quando o Sinédrio perseguiu Pedro proibindo-o de pregar no nome do Senhor é que Pedro disse: ‘Antes, importa obedecer mais a Deus do que aos homens.’ É somente quando a autoridade representativa se opõe evidentemente à ordem de Deus e ofende a pessoa do Senhor que podemos rejeitá-la.” A lógica foi perversa. Qualquer ensinamento sobre autoridade que serve pra justificar a posição especial de alguém que não seja o próprio Cristo é ofensivo e merece, então, ser rejeitado. Notemos que os únicos rebeldes no Novo Testamento foram os da Judéia, justamente porque quiseram dar a Moisés uma proeminência que ele não tinha mais (Rom 15:31).

Que o Senhor continue a produzir em Seu corpo mais modelos do rebanho e menos dominadores (1 Ped 5:2-3). Só pra constar, antes que alguém comece a teorizar sobre pratos e cuspes, afirmo que a ajuda que recebi em livros de W. Nee é inestimável, bem como por parte de outros, quer no passado quer no presente; mas tenho tentado cumprir meu dever cristão de examinar todas as coisas e reter o que é bom…