Fi de quem!?

Written by Stefano Mozart on . Posted in Citações, trechos de livros etc

Quem já passou, ou está passando, pelo ensino médio deve lembrar-se de Fibonacci, matemático italiano do século XIII que idealizou a célebre “seqüência de Fibonacci”. Essa seqüência é figura marcada nas lições de progressão, da matemática, nas classes de reprodução celular, da biologia, e podem ainda aparecer em alguma aula de ondulatória, de um professor de física mais criativo. É interessante, porém, que o verdadeiro nome do matemático, registrado em sua obra “Liber Abaci” (o Livro do Ábaco), seja Leonardo Pisano. Leonardo teve contato com a matemática Árabe, a mais desenvolvida da idade média, pois seu pai, Guglielmo Bonacci, comerciante da cidade de Pisa, foi transferido como cônsul italiano para o norte da África. Daí Leonardo, não obstante sua enorme contribuição à matemática ocidental, acabar historicamente consagrado como ‘Filho de Bonacci’, ou, como o conhecemos hoje, Fibonacci.

Jovem, como você é conhecido? Os jovens da década de 1980 gostavam de ser identificados como a “geração coca-cola”, os de 1990, como geração “cara-pintada”. É difícil dar um nome à geração atual: você é da “geração da informação”? Da “geração internet”? Nosso Pai celeste espera que não haja dúvida, antes, sejamos conhecidos como Filhos de Deus. Foi por isso que Ele, segundo a Sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança (1 Pe 1:3). Antes, éramos filhos da desobediência, seguindo o curso do mundo, e, por andar segundo as inclinações da carne, éramos naturalmente filhos da ira (Ef 2:2-3). Agora, porém, devemos andar de outra maneira, “pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5:8).

No seu dia a dia, talvez você sinta que será conhecido apenas como Tiago, Davi, Daniel, ou algo assim. Mas, na volta do Senhor, você perceberá que foi “historicamente consagrado” como ‘filho de alguém’. Leonardo Pisano, o famoso Fibonacci, morava na África e aprendeu matemática em idioma Árabe, mas escrevia em Latim e assinava com o nome da cidade de seu pai. E quanto a você, Jovem? Que língua você fala? Qual é a sua pátria? Qual é a sua origem e natureza? Quem é seu pai?

A vida e a natureza de Deus

Temos na Bíblia alguns exemplos de pessoas que eram conhecidas pelo nome de seus pais. Como é o caso de Simão Barjonas – que quer dizer ’filho de Jonas’, posteriormente chamado Pedro (Mt 16:17-18). Ele não se envergonhava de ser chamado assim, nem precisava esforçar-se para que isso ocorresse, pois tinha uma relação de vida com seu pai. Pedro, posteriormente, percebeu que nós também temos uma relação de vida com o Senhor. Por isso, mostrou-nos que O Senhor Jesus é a Pedra que vive, e nós, igualmente, como pedras vivas, podemos achegar-nos a Ele, e assim, sermos edificados, isto é, transformados, a fim de nos parecermos com Ele e manifestarmos Suas virtudes (1 Pe 2:4-5, 9).

No início de sua carreira cristã, Pedro era inconstante, ora lutando bravamente pelo Senhor, ora envergonhando-se de ser identificado com Ele (Mt 26:33-35, 51-52, 73-74). Todavia, depois de alguns anos, Pedro havia experimentado o Senhor, e podia dizer: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1 Pe 5:10). Jovem, a vida de Deus entrou em nós como uma semente, mediante a Palavra (1 Pe 1:23). Agora, para que sejamos aperfeiçoados, firmados, fortificados e fundamentados, essa vida deve crescer em nós. Quando a vida de Deus cresce em nós, Seus atributos se tornam manifestos e assim, não haverá dúvidas, nem da nossa parte, nem da parte daqueles que nos rodeiam, de que, de fato, somos filhos de Deus.

Filhos refinados como ouro

Precisamos, ainda, dar atenção à expressão “depois de terdes sofrido por um pouco” em 1 Pe 5:10. Pedro disse isso por que sabia que as várias provações por que passara contribuíram para que a vida de Deus tivesse crescido nele. Durante as provações, as impurezas em nossa alma, o velho procedimento, o curso do mundo, as inclinações da carne e todas as coisas negativas são manifestas. Foi por isso que Pedro comparou o crescimento de vida com o processo de refino do ouro. Para ser refinado, o ouro é colocado no crisol, ou cadinho, e submetido a temperaturas superiores a 1.100° Celsius. O ouro tem peso específico muito alto, pois é um dos elementos de maior densidade da tabela periódica. Portanto, ao fundir-se, decanta rapidamente para o fundo do crisol, expondo elementos de outra natureza à superfície. O ourives então, usa uma espátula para remover aquelas impurezas.

O mesmo ocorre conosco. Durante as situações de pressão, quando sofremos injustiças ou quando somos aborrecidos de alguma maneira, o nosso temperamento vem à tona. As provações em si não nos ajudam a mudar, mas, se, em meio aos problemas, percebemos as impurezas em nosso coração, nos arrependemos e nos voltamos ao Senhor, Ele fará o trabalho de ourives, e nos purificará (Ml 3:3). É assim que pouco a pouco somos depurados e a fé é confirmada em nós. Por fim, esse processo redundará em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1 Pe 1:6-7). Isto significa que o Senhor nos depura, ou nos julga, hoje para que, em Sua vinda, sejamos aprovados. É por isso que Pedro afirmou que “a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada” (1 Pe 4:17).

O amor é o teste do DNA

Finalmente, Jovem, para ser conhecido como filho de Deus, você precisa de alguns indícios de que passou pelo fogo. Você precisa ser como carvão em brasa e como uma tocha de fogo (Ez 1: 4, 13). Esses dois aspectos podem ser vistos nas epístolas de Pedro. Em 1 Pedro 2:2, vemos o primeiro deles: desejar ardentemente o genuíno leite espiritual. Desejar ardentemente indica um coração aquecido, como um carvão em brasa. Não podemos deixar nossa comunhão com Deus esfriar-se, nem apagar-se. Pelo contrário, devemos buscá-Lo e amá-Lo cada dia mais. Esse coração ardente é algo interior, e não pode ser realmente percebido apenas em atitudes exteriores. O outro sinal do fogo, que não pode ser imitado, nem criado artificialmente, é o amor. Em 1 Pedro 1:22 lemos: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente”. Quando amamos ardentemente, somos como tochas de fogo, e tal condição é visível.

O verdadeiro amor é intenso, não fingido, não se cansa, nem se exaspera. Não se ressente do mal, tudo suporta, tudo crê, tudo espera. O amor jamais acaba. E todo aquele que ama, é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor (1 Jo 4:7-8). E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele (1 Jo 4:16). Jovem, o amor não é teórico. Ele tem de se manifestar na maneira com que tratamos as pessoas, na maneira com que acatamos e respeitamos nossos pais e o os irmãos que cuidam de nós. O amor se manifesta em servirmos, em sermos voluntários, em sairmos para pregar o evangelho. Ele se manifesta ao mantermos um bom testemunho, que leve as pessoas que nos rodeiam a perceber uma vida diferente em nós.

Não se desanime caso não perceba um amor tão forte em você. Segundo a experiência relatada em 2 Pedro 1:5-7, o amor é o último estágio, a manifestação mais elevada, do crescimento da vida de Deus em nós. Procure desfrutar, experimentar, o Senhor em cada situação, e nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo Ele é, também nós somos neste mundo (1 Jo 4:17). Jovem, seja conhecido como filho de Deus, expressando o amor de Deus e “vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1 Jo 3:1).

(Texto escrito para a coluna “Corre e fala a este Jovem”, em abril de 2008)

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