O reino de Deus foi projetado para ser descentralizado

Written by Stefano Mozart on . Posted in Citações, trechos de livros etc

Aparentemente, a humanidade sempre quer se assentar em um único lugar. Tendemos também a nos assentar por coisas menores do que devemos.

Muitos consideram a igreja de Jerusalém como o melhor modelo de uma igreja saudável. Vejo alguns bons exemplos nos primeiros capítulos de Atos, mas acho que as igrejas locais de Antioquia, Éfeso ou Tessalônica constituem um exemplo bem melhor. Jesus mandou os primeiros discípulos, em Atos 1:8, se espalharem para fora de Jerusalém, até que os confins da terra recebessem o poder de Deus. Em vez disso, eles todos ficaram em Jerusalém.  Assim como Deus forçou a descentralização em Gênesis 11 com as línguas, ele forçou a descentralização em Atos, dessa vez usando perseguição (At 8:1). Uma ironia da Bíblia é que, sob o poder da perseguição, todos da igreja de Jerusalém partiram, com exceção dos “enviados” que receberam a ordem em primeiro lugar. No sentido literal, “apóstolos” significa ‘enviados’, e eles foram aqueles que não saíram quando a perseguição atingiu a igreja – uma triste ironia, com certeza.

O Senhor da seara precisou levantar outro grupo de apóstolos para que a tarefa fosse finalmente cumprida (At 13:1-3). Todavia, em Atos 15 ainda vemos os enviados originais em Jerusalém, onde deram suas bênçãos aos novos apóstolos.

Em Atos 21, Paulo retorna à igreja em Jerusalém, e finalmente os enviados se foram. Mas dê uma olhada nessa igreja-modelo. Paulo é chamado no canto e, em particular, lhe é dito que ele não deveria estar ali; aquela igreja estava tomada por legalistas que poderiam atacar Paulo se o vissem por perto. Pouco depois, ele é atacado e preso, e essa igreja tenta matar o autor de metade do Novo Testamento. Se desobedecermos à vontade de Deus (seja por pura rebeldia, seja por uma negligência mais aguçada), as conseqüências são uma igreja doente e com as prioridades confusas.

Igreja Orgânica: plantando a fé onde a vida acontece – Neil Cole. Rio de Janeiro: Habacuc, 2007, p. 71.

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