“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4:10-16)

A salvação pela fé

Written by Stefano Mozart on . Posted in Estudo Bíblico

A salvação pela fé é um assunto básico da vida cristã. Infelizmente, muitas vezes é um tema tratado como “tão básico” que deve ser relegado a segundo plano, como um assunto que só precisa vir à tona quando um incrédulo ou um novo convertido estiver recebendo os primeiros ensinamentos acerca do evangelho.

Uma pessoa pode aprender as letras no alfabeto e depois nunca mais pensar ou falar sobre elas, mesmo usando-as para escrever textos sobre os mais diversos e complexos assuntos. Mas um cristão não pode abandonar a salvação pela fé e partir para coisas superiores. Pois, que pode ser superior? Que é mais importante para o pecador que sua salvação? Que certeza mais elevada pode ter o pecador, senão aquela que funda sobre o Salvador?

É por isso que Deus disse essa palavra ao profeta Habacuque, com a instrução de que escrevesse em tábuas, para que a pudesse ler até quem passasse correndo: “Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.” (Hb 2:3-4).

É imprescindível, para o cristão, perceber que sua salvação, sua história com Deus, não apenas se inicia pela fé. Ela subsiste e progride pela fé. Toda nossa jornada como filhos de Deus é trilhada pela fé. O justo é gerado pela fé. O justo vive pela sua fé. Creio que foi essa percepção que levou Paulo, em seu “tratado do evangelho” aos irmãos em Roma, a dizer:  “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1:16-17).

Podemos receber bastante ajuda se meditarmos no significado da expressão “de fé em fé”, utilizada por Paulo na afirmação acima. Ela provavelmente significa que a fé nos conduz, desde nosso “primeiro encontro” com o Senhor, até o dia eterno, em que estaremos para sempre com Ele. É a fé que nos permite desfrutar o poder de Deus no evangelho. Foi a fé que nos salvou, e sempre nos salvará. Talvez seja por isso que, ao revelar nossa habitação final, o Senhor tenha se mostrado como o Cordeiro: para que nos lembremos eternamente de nossa salvação pela fé Nele (Ap 21:22-23; 22:1, 3).

O Senhor Jesus atestou por várias vezes que a fé foi o motivo, a causa, a força motriz da salvação daqueles que O encontravam. Ele disse àquela mulher que foi curada ao tocá-lo: “Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou” (Mt 9:22). Ao cego, que Lhe pediu apenas que retornasse a ver: “Vai, a tua fé te salvou” (Mc 10:52). À mulher pecadora, que ungiu os pés do Senhor, e os enxugou com seus cabelos: “A tua fé te salvou; vai-te em paz” (Lc 7:50). Essas pessoas foram salvas em situações distintas e foram resgatadas de problemas distintos: mas todas foram salvas pela fé. Diariamente, podemos ser salvos da morte, da cegueira, dos muitos pecados. Podemos ser salvos em diferentes aspectos e diferentes níveis, mas seremos sempre salvos pela fé.

Um dos aspectos mais importantes da salvação pela fé é a justificação, isto é, o perdão de nossos pecados. Pois os nossos pecados fazem separação entre nós e Deus. E o pecador não possui nem é capaz de produzir qualquer sentimento, devoção ou obra que possa transpor essa barreira. Todos os homens foram sepultados debaixo do pecado e não há um justo sequer (Rm 3:10). Essa conclusão é importante, pois orienta o foco de nossa atenção. Se pudéssemos construir uma torre que nos levasse até Deus, isto é, se fôssemos justificados por obras, então deveríamos dedicar toda nossa vida a isso. Mas não somos justificados por obras, somos justificados pela fé. Por um lado, isso indica que a fé deve receber especial atenção. Por outro lado, significa que não podemos nos fiar em nossas obras, que, em última instância, é o mesmo que confiar em nós mesmos.

Na casa de Simão, o fariseu, nenhum daqueles que confiavam em si mesmos lavou os pés do Senhor, nem Lhe deu o ósculo, nem ungiu Sua cabeça. Nenhum deles foi perdoado. Nenhum deles amou o Senhor. Mas aquela mulher pecadora, que não conseguia fazer outra coisa senão chorar, teve seus muitos pecados perdoados. Ela permaneceu aos pés do Senhor. Amou o Senhor. Ela foi salva. Tudo isso pela sua fé (Lc 7:36-50). É claro que não podemos simplesmente “apontar o dedo” para aqueles fariseus e deixar de considerar o fato de que nós confiamos demais em nós mesmos. Por isso a justificação pela fé teve tanto destaque no ensinamento apostólico (At 15:9; 26:18; Rm 3:22-30; Gl 2:16-20; 3:8, 24; Fp 3:9; 2 Ts 2:13; 2 Tm 3:15).

Outro aspecto da salvação pela fé, e que resulta da justificação, é a paz com Deus. Havia uma inimizade “natural” entre nós e Deus, pois a inclinação da carne é inimizade contra Deus (Rm 8:7). Mas agora, “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;” (Rm 5:1). A nossa inimizade contra Deus também nos fazia inimigos de Seu povo, nos afastava de Suas alianças e promessas. Mas ao sermos justificados pela fé em Cristo, também foi feita a paz, e, por isso, temos acesso à comunidade de Deus, Sua casa, e às Suas promessas. Temos acesso ao Pai, em um só Espírito (Ef 2:12, 17-18).

Pela fé que nos justificou, nos deu paz com Deus, e nos deu acesso a Ele, também temos acesso à graça. Ser salvo pela fé, portanto, também significa ser salvo pela graça, à qual temos acesso pela fé. “(…) obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5:2). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;” (Ef 2:8).

A salvação pela fé também significa ter Cristo vivendo em nós, viver uma nova vida Nele. Significa andar, agir, pela fé, e não pelo que vemos (2 Co 5:7). Pois é pela fé que Cristo faz morada em nossos corações (Ef 3:17). Pela fé, temos um novo referencial, uma nova realidade, uma nova vida. E assim, somos salvos de viver como vivíamos antes, na carne. “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:20).

Ser salvo pela fé é também receber o Espírito (Gl 3:2). O derramamento do Espírito era uma promessa feita a todos, a toda carne (Jl 2:28;  At 2:33). Mas apenas quando ouvimos a palavra da verdade, o evangelho de nossa salvação, e cremos, é que, pela fé, somos selados com o Espírito Santo da promessa (Ef 1:23). Pela fé, a promessa se torna realidade: nós recebemos o Espírito (Gl 3:14, 18).

Ser salvo pela fé é também ser firmados na esperança (Cl 1:23; 2 Co 1:24; Gl 5:5). É nos fortalecer pela fé, para ficarmos de pé até o fim (Rm 4:20; 11:20; Lc 21:36; Ef 6:13). Isto é, a salvação pela fé também implica que somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pe 1:5). Assim, a salvação pela fé também diz respeito a uma salvação que é futura, mas que, não obstante, já nos preserva hoje. É uma herança a ser recebida futuramente, mas que pode ser desfrutada hoje (Hb 6:12).

Foi olhando para essa salvação futura, esse quinhão, que, pela fé, muitos obtiveram bom testemunho no passado. “Os quais, Por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros. Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra ” (Hb 11:33-38).

Essa é a salvação pela fé. É a experiência que, “de fé em fé”, no conduz ao Senhor, nos justifica, nos dá paz com Deus, nos dá acesso à graça e faz com que Cristo habite em nossos corações. A salvação pela fé nos enche do Espírito, nos fez viver de modo digno, nos dá um testemunho, uma esperança. A salvação pela fé é a experiência de usufruir, hoje, a salvação que está preparada para revelar-se no último tempo. Ser salvo pela fé é experimentar tudo isso, todos os dias. É sofrer todos esses efeitos a cada vez que trazemos à memória a morte de Cristo na cruz, o sangue que Ele derramou por nós, e cremos.

“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” (Ap 22:14).

Epitáfio

Written by Stefano Mozart on . Posted in Comunhão

Recentemente, o Senhor levou minha mãe. Estive com ela naqueles últimos momentos, e pedia, desesperadamente, que o Senhor lhe desse mais tempo. Mas o Senhor disse não, e a levou. E por isso O louvo por Seu amor.

Esse louvor é, por um lado, um exercício. Para que minha fé, minha confiança nesse amor, seja ampliada. Por vezes, é difícil entender as respostas que o Senhor nos dá. Ou entender a maneira como Ele responde. Por isso, senti que seria interessante compartilhar o texto abaixo, que foi o que gostaria de ter lido no velório, e foi o que acabei dizendo aos presentes, embora, dada a emotividade da ocasião, de maneira menos organizada:

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“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.” (1 Co 1:3-4)

Por convicção pessoal, não vejo este ajuntamento como uma forma de honrar minha mãe, de demonstrar-lhe carinho ou afeição. Creio que a oportunidade de honrá-la, de confortá-la e manifestar apreço sessou no dia em que o Senhor a tomou para Si. Nosso ajuntamento é para consolar os que ficam. É para que tenhamos a percepção de que a dor que sentimos, não a sentimos sozinhos. É para chorarmos juntos. É também para atenuarmos a dor com a consolação da esperança que temos em Cristo.

Eu agradeço sinceramente a presença de cada um, e também as muitas manifestações de pesar e apoio que recebemos nesses dias. A presença de cada um aqui, cada palavra de conforto, cada boa lembrança que ouvimos, reafirma nossa consolação de que minha mãe viveu plenamente, de que lutou o bom combate e completou a carreira que lhe estava proposta. Provam que não lhe faltaram dias para cumprir o grande mandamento, de que amemos ao próximo como a nós mesmos.

Essa é a marca, o testemunho da vida de minha mãe. Amou a Deus de todo o seu coração. Gastou-se por seus filhos, por sua família, por seus irmãos na fé, por seus alunos tão especiais. Ela se preocupava sinceramente com todos os que a rodeavam (na última conversa que tivemos, nos últimos minutos que tivemos juntos, ela me pedia que trouxesse roupas de bebê para doar para o jardineiro
que trabalhava em sua casa).

Mas esse amor não era irresponsável, ou vazio. Ela sabia muito bem e ensinou muito bem o significado da justiça, da lei. Aliás, a frase mais célebre da Dona Loide, que ouvi por toda a minha infância foi: “a lei é para aqueles que não vivem pelo Espírito. E pra vocês, eu sou a lei”. Creio que o grande feito, o ápice do testemunho dela, que eu agora invejo, foi que, para cada um de nós, a lei que nos limitava e influenciava exteriormente, foi eficaz para nos guardar e, em algum momento, conduzir à graça, que hoje nos define e move interiormente.

Dar esse testemunho não visa cobrir, evidentemente, as muitas falhas e pecados que, naturalmente, todos os filhos de Adão carregam. Esses foram cobertos pelo grande amor de Deus, manifestado de forma indubitável pelo sacrifício eterno do sangue de Seus Filho, derramado por nós na cruz. “(…) porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pe 4:8).

Diante desse testemunho, meu desejo é que não apenas vejamos uma vencedora, alguém que tem agora a corôa da vida, e nos consolemos com isso. Mas principalmente que possamos aprender com alguém que imitou a Cristo, para que possamos imitá-la e seguirmos com convicção ainda mais firme nossa jornada, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Por isso, peço ao Senhor que as boas lembranças, da forma como ela amava a todos, de como se preocupava com todos, de como acolhia a todos como filhos, se tornem um encorajamento para que façamos o mesmo. Peço que eu também alcance tamanha graça e veja minha filha encontrar o Senhor que tanto amo.

Peço, ainda, que, a despeito de todo o pesar, confirmemos nossa confiança no amor de Deus  e que, arraigados e alicerçados nesse amor, possamos declarar, com sinceridade, as mesmas palavras proferidas por Paulo, nosso irmão na fé, há quase dois mil anos:

“Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor”
(Rm 14:8)

O maior adversário da devoção a Jesus

Written by Stefano Mozart on . Posted in Citações, trechos de livros etc

“The greatest competitor of devotion to Jesus is service to Him. It is never ‘Do, do’ with the Lord, but ‘Be, be’ and He will ‘do’ through you. The only way to keep true to God is by a steady persistent refusal to be interested in Christian work and to be interested alone in Jesus Christ.”

“O maior adversário da devoção a Jesus é o serviço a Ele. Nunca é uma questão de ‘Fazer, fazer’, com o Senhor, mas de ‘Ser, ser’. Então Ele ‘fará’ por meio de você. A única maneira de manter-se genuíno diante de Deus é a firme persistência em recusar o interesse no labor cristão e interessar-se em Jesus Cristo apenas.”

Oswald Chambers